terça-feira, 30 de agosto de 2011

Fotografia é poesia?


Roland Barthes, em seu livro "A câmara clara", diz: "...diante de certas fotos, eu me desejava selvagem, sem cultura. Assim eu prosseguia, tanto sem ousar reduzir as fotos inumeráveis do mundo, quanto sem estender algumas das minhas a toda a Fotografia: em suma, eu me encontrava num impasse e, se me cabe dizer, "cientificamente" sozinho e desarmado".

sábado, 27 de agosto de 2011

Professor-Poeta-Amigo


Os “mercados”, plurais nas tardes de sábado

Gritam, evidenciando o convite...

São tantas as vozes:

Músicas, conversas e goles...

Ah! Os goles, poéticos e intensos

Porque estão fora dos “nós” acadêmicos

Regrados e polidos

Cheios de salubridades mascaradas

E verdades absolutas

Destas que não existem na feira

Nem nos botecos

Tampouco em nós

Leitores ávidos

Vorazes

E instintivos

De poesia

Da tua poesia, Hildeberto Barbosa.

domingo, 21 de agosto de 2011

Palavras do dia

"Falam de tudo. Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzisses, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber. Mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam."

[Nelson Rodrigues]

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Parafraseando o discurso de um amigo: "gosto mais que dinheiro"!


"Leio para morrer de uma forma totalmente nova ou, pelo menos, para sentir que ressuscitarei de uma maneira um pouco diferente". (Dimas Macedo). Compartilho incondicionalmente deste pensamento.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Enclausurado

O coração dói

E nem o mais racional de todos os pensamentos

Ousa em mostrar-se “senhor do mundo”

Pra quê? Pra quem?

De que servem a dureza

As palavras ásperas

O tom confortável

Se no sabor da manhã

O café é amargo

Sozinho e introspectivo.

Se ao cair da tarde

O alaranjado é triste

E sem açúcar.

Se a noite, a lua...

O conhaque de Drummond

Deixa-me mais comovido que o Diabo.

Isso é ser forte?

Isso é iludir o amor?

Ou enganar-se na penumbra de um quarto

A sorver a dor?

domingo, 7 de agosto de 2011

Homenaje a Alfonsina Storni




¿Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Pregunta mi corazón!
Una voz está en ti, en mi
Explota en mi interior
Pero, necesito saber:
¿Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?






sábado, 6 de agosto de 2011

A imagem como subversão (A Alberto Manguel)


No canto dos olhos
a imagem subvertida
estilhaça o espelho
numa violenta e suave
reflexão...
das horas antigas
que, por hora
remexem os lugares
onde nunca estive presente

A alma imoral (A Nilton Bonder)


É a ânsia,
esta louca,
que sai do além e vem perturbar...
estou pronto para recebê-la como um ser pronto para copular
extravasar tudo
de todas as maneiras e razões
entre pernas transgressoras
sempre abertas
a imoralidade da alma



O ofício

Nem sei por que insisto em escrever

Assim como insisto em beber...

É como se o gole fosse o verso

Este que está preso

Na garganta, ou melhor, no delírio

E vos sai como um vômito

Atônito e sem direção

Num esvaziar de corpo e alma

Para logo mais encher-se de novas palavras

E inebriar-se de tantos outros goles

Até sufocar-se

Sem socorro

E sem perdão.

Laços

Conversas balbuciantes

Harmonizam-se ao chorar do céu

Pelas telhas

Descem as lágrimas

De tua face de outrora

Entre as lembranças

Transmutadas em linguagem

Seguem os goles

E as batidas do tempo.

Crises se sucedem

Uma desordem se instaura

E o “lavorar” da palavra

Faz-se em versos

Destoantes e dissonantes

Neste experenciar

De vida e de morte

A vida oferece a poesia

segure-a quem quiser nas mãos

ou jogue-a na primeira lata

ou arrependa-se...

como a um passado longínquo

sinta-se como um ser incompleto

por não poder mais voltar atrás.

como a palavra dita

aquela maldita

que saiu sem permissão

tomou vida própria

e tu, ó ser primário, não tem mais controle

conforma-te com a tua ação!

ou recolha-te a tua insignificância.

Des(varios)

São tantos sons que me atormentam,

vozes...

veladas pela mesma música

que intencionalmente algo traz

e toca

grita

e dança no meu pensamento

as vezes leve

outras, aos pontapés

murros ao vento

dissipando o sentir

num rodopiar de invasão

levantando e caindo

de tom em tom

de mão em mão

sem chegar ao coração

e sem sair dele.

a canção esquizofrênica

cheia de alentos

mas provocadora

existencial

soberba de consciência

e melódicas batidas

dum estar indo...

sem sair do lugar

preso nas extremidades

do vazio que provocas

neste eterno movimento

de questões sem rosoluções

que seguem o seu passo

sem ritmo

impregnado de incompreensões

cantantes

a revolver minh´alma.

O poeta e o leitor

Insisto, ainda que biograficamente, iludir-me com as palavras

Elas insistem, ainda que poeticamente fazer-me companhia

Se há uma fidelidade entre nós

Os textos estão aí

Cheios de interpretações

Loucos por leitores ávidos

Instintivos

Maníacos por sentirem-se plenos

De poesia

E manifestações várias...

Se há uma interação entre nós

Nem eu mesmo sei

Nunca quis dizer nada.

Não há verdade. Há?

Em toda minha vida

A Literatura

Esta válvula

Que alego ser espiritual

Fez-se companheira

Jamais foi efêmera

E não obstante, me fez humano.

Demasiadamente humano

Cheio de compreensões

Ou ilusões acerca da vida.

Dessa vida, que não somente pulsa,

Mas que transcende o inefável

E se desenraiza rumo ao infinito.

Nunca fizemos um pacto

Fomos, na verdade, aliados

Na busca por um sentido

Que, de tempo em tempo, oscila em mim

Como as variações inerentes a ele – o Tempo.

São imbricações, essas que vos trago, caro leitor.

Que talvez nos aproxime

Num extasiar

Que a mim coube ressaltar,

E a ti, te faz comungar.

Equilíbrio


Vida perene
Braçadas vazias
Dias sublimes
Instantes de agonia
Momentos de prazer
Infinitos de nostalgia

A dialética do racional e o irracional

Um sonhador e sua angústia em ultrapassar as páginas e os infinitos brancos... grita: quero inebriar-te com minhas inquietações... deslizar os estados embriagados do ser contra os muros que o mantém secreto... transcendendo o momento de furtivo desejo!
Desde já, não abstenho a vontade de te possuir... tal qual a necessidade da luz.... ser consumido em linhas de papéis tocados por ti. Usurpando todos os meus sentidos... clareando os movimentos circulares dos meus olhos hipnotizados com teu pairar...
Não, não quero pensar em todas as possibilidades, só a poesia me faz pensar nessa hipótese! Também não quero ser o poeta que cantará tua existência... seria muita pretensão de minha parte. Mas quero cantar o dia de nosso faz de conta! Celebrar como criança, sem pasmo... sem arrogância... sem destino de horas... sem repetições... apenas com a recorrência de quem escreve um belo texto, continuar a devanear o direito e o avesso do teu corpo.
O ser, quando descontínuo de seu desejo se sente amorfo... verso vazio... a espera de rimas noturnas e suntuosas para versar o íntimo do outro. Mas onde estará o íntimo do outro? Confundiu-se com o sol de amanhã? Cometeu um assassinato? Foi julgado? Talvez minha tolice humana tenha tocado estas indagações, como um estrangeiro de mim...
Oh! humano, demasiado humano! Quanta falta de bom senso te falta! Essa inútil e útil necessidade de medíocres... que acreditam nos sentidos. Você sabia que eles enganam, seu idiota? Basta observar os espaços nada poéticos desse teu solilóquio, dessa tua carência de afetos sem açúcar... desse teu corpo desnudado por tuas mãos... dessa tua vontade de reger sem orquestra.
Cala-te! a nostalgia de toques se perderam na noite de tuas lembranças instantâneas, na profusão de tua importância... no teu universo de fantasias... na tua idiossincrasia.
Ah! você é mesmo um tolo, se apega ao pé da letra! Imagina que Nietzsche chorou pela poetisa, e segue o caminho de um niilista contrário a sua ideologia... Esqueceu como se racionaliza? Esqueceu?
Não, não, mas certamente me perdi em palavras nas quais resultam minha angústia... das quais carregam o meu penar... e penso em Camus: “No meu caso, eu tinha vontade de amar, como se sente vontade de chorar”.

Despedida


De tudo que sinto
Apenas a saudade
Esta pétala que cai
Da flor do Lácio
Se conserva intacta
Por entre as páginas
Da minha biografia
E insiste em perdurar
A cada dia
Por entre o ir e vir
Dos meus sonhos
Não sei medir
Tampouco ouso fugir
Apenas questiono:
Por que deixastes a saudade?
E levastes o meu amor?
Nunca conversamos sobre uma troca
Nem expus uma fortaleza
Mas se queres seguir teu caminho
Aceito ficar sozinho
A exibir o troféu da saudade.


Amor

O que faz um poeta não viver a rota do amor?
Mas simplesmente fazer disto a sua poesia?
Como pode um filosófo não discorrer sobre o assunto?
Que poder é este que o sentimento carrega?
Leveza?
Peso?
Ou será a simples pétala de rosa esquecida
que ao cair transforma-se num fardo?
Vai amor! Mostra a tua cara
Dilacera os corações da escrita
Transforma a linguagem na tua essência
Traz a tona dois pesos, duas medidas
A eloquente sensação do infinito
Quebra a corrente da dialética filosófica
Ultrapassa a dinâmica dos textos poéticos
Vislumbra o teu espaço
Afinal, todos necessitam de ti
Rompe o dique
Cai sobre os corações levianos
Navega o mar da inconstância
Tira da lama os que têm medo de ti
Sai do estigma
És fortaleza
És pluma
És substancia
És Deus
És dor
És amor.

Aspirações

Aspirante a escritor? Não!
Aspirante a poeta? Sim!
Poeta não escreve
Sente
E o sentir
Comanda os movimentos da caneta
No coração de quem lê


Passagem das horas



Noite insone,
Gritos poéticos
Ecoam no inconsciente;
Transbordam no papel
Versos noturnos
Solitários...
Amorfos
Imersos na angústia
Substancial do pensamento
Sensações abruptas
Inexplicáveis...
Tocadas ao som da lira
Dos poetas metafísicos
Eclodem com perfeição
Diante de um espectral
Bater das horas...

Socorro


Salve a biografia
De um poeta medíocre
Condenado pelos sentidos
Tocado por distanciamentos
Fugindo da própria dor...

Salve os versos de um poeta
Confundido com o efêmero
Versando o vazio
Afogado em devaneios
Querendo ser um poeta maior...

Salve o leitor
Exaurido da vida
Sucumbido por estes versos
Idolatrando um poeta
Que não fala de amor...


O assalto


Roubaram vidas cortadas pelo rio
Resgataram vidas salvas pelo rio
Rezaram, e o rio passou
Dormiram, e o rio estava calmo
Sonharam, e o rio era um devaneio...
Acordaram, e o rio era apenas a realidade.


Poema síntese

Eu, poeta dos versos curtos
Como se quisesse versar o mundo
E não conseguisse
Ah! agonia sem fim
Linhas intermináveis
Quero escrever!
Mas sou sintético
Escrevo como quem morre
E a morte não espera


Lucidez


Com um traço de pena
Dou vida a superfície intacta
Transformo versos lânguidos
Em alimento...
E como um comedor de ópio
Sigo inebriado...
Em espasmos poéticos
Que me deixam tonto
Ouço vozes!
Ergo-me em desvarios
E como num último alento
Sobrevivo na imensidão das palavras...


Embriaguez pessoana


Em versos de cerveja
E goles de Pessoa...
No delírio presente...
Vomito as palavras...
Recobro a razão
E ela me diz: eu te odeio!
E volto a ser louco...