O corpo – dizem – já não será o mesmo
Olha o meu corpo antigo na curva do
chafariz
Alguém falou de um modo descuidado
O corpo – dizem – já não será o mesmo,
Porque naquele tempo
Saí pelo ancoradouro embriagada
Todos eram demais e não sabiam
Digo que continua urgente a ilusão desse
momento
Como dizer, sem te estranhar: recusa-me
A blusa de cetim verde tem um decote de
princesa judia
Fecha os olhos e pensa no que quiseres
Porque o espírito há de ser sempre o
mesmo
Dragão gigante
Fecha os olhos e beija-me de modo frágil
O teu olhar tem o mesmo brilho de um
atirador de facas
O teu olhar é como um sino milenarmente
gigante
Sei que hás (de vir) sob a neve
enluarada
Sei que hás (de vir) ferozmente
enfeitiçado
(Esta poesia brotou da junção dos versos iniciais das dezoito estrofes do poema "Mas não demores tanto" de Lucila Nogueira)

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