sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O devir nogueiriano (Por Ciça Buendía)



O corpo – dizem – já não será o mesmo
Olha o meu corpo antigo na curva do chafariz
Alguém falou de um modo descuidado
O corpo – dizem – já não será o mesmo,
Porque naquele tempo
Saí pelo ancoradouro embriagada
Todos eram demais e não sabiam
Digo que continua urgente a ilusão desse momento
Como dizer, sem te estranhar: recusa-me
A blusa de cetim verde tem um decote de princesa judia
Fecha os olhos e pensa no que quiseres
Porque o espírito há de ser sempre o mesmo
Dragão gigante
Fecha os olhos e beija-me de modo frágil
O teu olhar tem o mesmo brilho de um atirador de facas
O teu olhar é como um sino milenarmente gigante
Sei que hás (de vir) sob a neve enluarada
Sei que hás (de vir) ferozmente enfeitiçado

(Esta poesia brotou da junção dos versos iniciais das dezoito estrofes do poema "Mas não demores tanto" de Lucila Nogueira)

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