Um sonhador e sua angústia em ultrapassar as páginas e os infinitos brancos... grita: quero inebriar-te com minhas inquietações... deslizar os estados embriagados do ser contra os muros que o mantém secreto... transcendendo o momento de furtivo desejo!
Desde já, não abstenho a vontade de te possuir... tal qual a necessidade da luz.... ser consumido em linhas de papéis tocados por ti. Usurpando todos os meus sentidos... clareando os movimentos circulares dos meus olhos hipnotizados com teu pairar...
Não, não quero pensar em todas as possibilidades, só a poesia me faz pensar nessa hipótese! Também não quero ser o poeta que cantará tua existência... seria muita pretensão de minha parte. Mas quero cantar o dia de nosso faz de conta! Celebrar como criança, sem pasmo... sem arrogância... sem destino de horas... sem repetições... apenas com a recorrência de quem escreve um belo texto, continuar a devanear o direito e o avesso do teu corpo.
O ser, quando descontínuo de seu desejo se sente amorfo... verso vazio... a espera de rimas noturnas e suntuosas para versar o íntimo do outro. Mas onde estará o íntimo do outro? Confundiu-se com o sol de amanhã? Cometeu um assassinato? Foi julgado? Talvez minha tolice humana tenha tocado estas indagações, como um estrangeiro de mim...
Oh! humano, demasiado humano! Quanta falta de bom senso te falta! Essa inútil e útil necessidade de medíocres... que acreditam nos sentidos. Você sabia que eles enganam, seu idiota? Basta observar os espaços nada poéticos desse teu solilóquio, dessa tua carência de afetos sem açúcar... desse teu corpo desnudado por tuas mãos... dessa tua vontade de reger sem orquestra.
Cala-te! a nostalgia de toques se perderam na noite de tuas lembranças instantâneas, na profusão de tua importância... no teu universo de fantasias... na tua idiossincrasia.
Ah! você é mesmo um tolo, se apega ao pé da letra! Imagina que Nietzsche chorou pela poetisa, e segue o caminho de um niilista contrário a sua ideologia... Esqueceu como se racionaliza? Esqueceu?
Não, não, mas certamente me perdi em palavras nas quais resultam minha angústia... das quais carregam o meu penar... e penso em Camus: “No meu caso, eu tinha vontade de amar, como se sente vontade de chorar”.
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